"PASSO A MOSTRAR-LHES UM CAMINHO AINDA MAIS EXCELENTE"

(1 Co 12:31)

Caminho

Excelente

Conhecendo o Amor de Deus

Cristianismo “Bem-me-quer, Malmequer”
Wayne Jacobsen

Ele me ama.
Ele não me ama.
Ele me ama.
Ele não me ama.

É uma brincadeira que as meninas fazem na esperança de descobrir se o menino que gostam retribui seus sentimentos. À medida que as pétalas das margaridas são arrancadas da flor, uma a uma, o canto continua. A tensão aumenta até a última pétala decretar a verdade. O amor delas é retribuída ou não? Mesmo se você as observar de longe, seus gritos de alegria ou gemidos de tristeza lhe indicarão a resposta.

Obviamente, ninguém leva isso a sério. Quando não obtêm a resposta que desejam, muitas pegam outra margarida e começam o processo novamente. Nem mesmo as crianças demoram muito a perceber que as flores não foram projetadas para predizer sortes românticas. Afinal, por que conectar os desejos de seus corações à inconstância do acaso?

De fato, por quê?

No entanto, parece ser uma lição muito mais fácil de aprender no romance do que em nosso relacionamento com Deus. Talvez porque ele tenha olhos nos quais não podemos olhar e uma voz que nossos ouvidos muitas vezes não conseguem ouvir, investigamos nossas circunstâncias tentando descobrir exatamente como Deus se sente a nosso respeito.

Ele está satisfeito comigo, ou desapontado? Estou em condições de receber sua bênção, ou errei o suficiente para justificar sua raiva? Posso me sentir seguro com ele hoje, ou devo fugir com medo? É um jogo que muitos de nós jogamos.

Eu ganhei um aumento. Ele me ama.

Perdi meu emprego. Ele não me ama!

Algo na Bíblia me inspirou hoje. Ele me ama!

Meu filho está gravemente doente. Ele não me ama!

Eu dei dinheiro para um necessitado. Ele me ama!

Deixei minha raiva me dominar. Ele não me ama!

Meu pedido de oração foi realmente atendido. Ele me ama!

Eu relativizei a verdade para me livrar de uma situação difícil. Ele não me ama!

Você já se sentiu assim? Jogado de um lado para o outro, avaliando cada circunstância, exatamente como arrancava pétalas de margarida – esperando encontrar alguma evidência clara de como Deus se sente a seu respeito. Ele me ama?

Que Deus é esse?

É uma corda bamba perigosa. Você já ouviu falar que Deus o ama e, em seus melhores momentos, nada é mais fácil de acreditar.

Mas o que você faz quando as circunstâncias se tornam dolorosas? Pois você também já ouviu que ele é um Deus de vingança, exigindo obediência à sua vontade. Se ele recompensa quem o segue, as dificuldades em sua vida são a confirmação de que você não está desfrutando seu favor

Aqui está o problema, não é? As Escrituras pintam dois retratos aparentemente contraditórios de Deus. Como o Deus santo, ele se mostra inacessível em sua pureza, disposto a infligir indescritíveis tormentos em seu Filho, e pronto para entregar o impenitente à agonia eterna no inferno. Ele também é retratado como um Pai terno, tão amoroso que o pecador mais rebelde poderia correr para o seu colo em absoluta segurança e encontrar perdão e misericórdia.

Se você não for capaz de resolver essas imagens em uma visão coerente de Deus, acabará fazendo o jogo do “Bem-me-quer, Malmequer”. Como um filho esquizofrênico de pai abusivo, nunca terá certeza de qual Deus encontrará num determinado dia – aquele que quer pegá-lo em seus braços com gargalhadas, ou aquele que o ignora ou o pune por razões inexplicáveis.

Vacilar entre amá-lo e temê-lo o impedirá de aprender a confiar nele. Pois você sabe, intuitivamente, que não pode amar o que teme; e não terá medo de quem ama. Eis a razão por que tão poucos cristãos descobrem a profundidade da amizade que Deus lhes oferece: veem a santidade de Deus como uma contradição à sua ternura. Na incapacidade de conciliar as duas coisas, o medo vence e a intimidade com ele é perdida.

Temer ou amar a Deus?

O medo e o amor não podem existir lado a lado no coração humano. Embora o salmista nos diga que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria – é apenas o princípio. Precisamos aprender que o amor é o cumprimento dela, e é por isso que João disse que o amor perfeito expulsará todo o medo. A conclusão é esta: se você não ama a Deus, seria prudente temê-lo. Uma vez, porém, que aprenda o que realmente significa amá-lo, nunca mais precisará ter medo dele.

Somente experimentando essa profundidade de amor você poderá conhecer Deus como ele realmente é e quão seguro está nele. Descubra isso e suas calamidades nunca mais o levarão a questionar o amor de Deus ou se fez o bastante para merecê-lo. Em vez de temer que ele tenha virado as costas para você, poderá descansar em seu amor nos momentos em que mais precisar.

Este tem sido o desejo de Deus desde o primeiro dia da sua existência – de convidá-lo a superar seu medo dele e descobrir o que significa amá-lo. Deus lhe oferece uma amizade íntima que irá transformá-lo, à medida que ele se torna a única paixão de sua vida, aquilo que enche todos os seus horizontes. Ele quer ser a voz que o guia em todas as situações, a paz que faz seu coração repousar em meio aos problemas e o poder que o sustenta com firmeza na tempestade. Ele quer ser mais íntimo do que seu amigo mais próximo e mais fiel do que qualquer outra pessoa que você já conheceu.

Eu sei que parece bom demais para ser verdade. Como meros humanos podem desfrutar de tal amizade com o Deus Todo-Poderoso que criou tudo o que vemos com apenas uma palavra? Não seria ousado demais pensar que ele conhece e se envolve com os detalhes da minha vida? Não seria presunçoso até mesmo imaginar que esse Deus tem prazer em mim, embora eu ainda lute com as falhas da minha natureza carnal?

Seria, se não fosse ideia dele antes de ser sua. Foi ele quem se ofereceu para ser seu Pai amoroso – compartilhando a vida com você de uma forma que nenhum pai terreno jamais seria capaz de fazer. Ele é quem o ama mais do que todos que já o amaram, e sabe que quando você descobrir isso, todos os seus medos, incluindo o medo dele, serão destruídos.

Onde está esse amor?

Há apenas um lugar aonde você pode ir para encontrar esse amor tão poderoso – à cruz no Gólgota. Nela, o Pai e o Filho descortinam um plano tão incrível que abre a porta para você ter um relacionamento de amor por toda a eternidade com o Senhor da glória.

Durante a maior parte da minha vida na fé, vi a cruz apenas como o sacrifício substitutivo que permitiu que Jesus pagasse o preço pelos meus pecados. Foi só nos últimos anos que descobri que ela é muito mais do que isso. A cruz não apenas nos qualificou para receber a salvação, mas forneceu a base para nossa confiança no amor de Deus. Volte seus olhos para a cruz novamente e veja o que aconteceu entre um Pai e um Filho, que assegura para sempre nosso lugar em seu amor. Jesus não foi apenas punido por nosso pecado, mas tomou o pecado para si mesmo a fim de poder destruí-lo ali em favor de todos que quisessem vir a ele.

Esse é o amor que Deus nos convida a viver todos os dias. O medo paralisa, mas o amor o libertará para ir até ele, mesmo em meio aos seus piores fracassos, sabendo que ele o ama o suficiente para transformá-lo. O medo o faz esforçar-se mais para provar seu valor para Deus; o amor o ensina a confiar no trabalho dele em você.

Por muito tempo a religião organizada tem procurado nos ensinar que o medo e a vergonha nos tornarão melhores cristãos, mas isso não é verdade. A insegurança quanto ao seu lugar em Deus contribuirá muito mais para separá-lo de seu Pai amoroso do que para atraí-lo a ele. Jesus sabia disso. Ele ensinou as pessoas a viver com segurança no amor de Deus a cada momento do dia, para que pudesse transformá-las de maneiras que nunca seriam capazes por conta própria.

Quem pensa que a graça nos oferece o luxo de oferecer um reconhecimento apenas simbólico a Deus enquanto continuamos a viver de acordo com nossos próprios desejos, engana-se completamente. A graça nos dá liberdade para viver em relacionamento com Deus enquanto ele nos ensina como viver em conformidade com seus desejos. Quando você aprender a viver no amor do Pai, descobrirá como amá-lo de todo o coração. Eu o desafio a fazer isso sem se transformar em um reflexo autêntico de sua glória.

Beba profundamente de seu amor todos os dias. Envolva-o diariamente em conversas. Peça a ele para revelar a si mesmo e seu amor a você e observe enquanto ele faz exatamente isso nos lugares mais improváveis.

Ele quer que você caminhe com ele dessa maneira todos os dias, pelo resto de sua vida – sem nunca mais ter medo dele.

No amor não há medo, pelo contrário, o perfeito amor elimina o medo, pois o medo implica castigo, e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor. (1 Jo 4.18)